Como delegar cuidados com os filhos sem abrir mão da educação deles? - Josie Picanço

Na vida corrida de hoje, onde buscamos conciliar nossa carreira com os afazeres domésticos e a educação de nossos filhos, descobrir a melhor forma de construir parcerias no cuidado e educação das crianças é mais que necessário.

A extensão dessas parcerias na educação das nossas crianças vai além dos nossos pais e sogros, ela se estende aos familiares mais presentes, as secretárias do lar e à relação com a escola ou creche. Devemos permanecer atentas a todas essas influências na vida dos nossos filhos.

É claro que a gente se desdobra e sempre faz o que está ao nosso alcance, mas é preciso ter em mente que nem sempre damos conta sozinhas e que precisamos de flexibilidade para a rotina dos nossos filhos. Seja ainda na primeira infância ou na adolescência, para desenvolvermos uma relação de confiança desde cedo e que tenhamos uma relação mais saudável, é preciso ter maleabilidade. E é aí que entram os parceiros.

E sim, precisamos de ajuda! Não somos mulheres-maravilha para dar conta de tudo sozinhas. Não há nada de errado em contarmos com ajuda para criar os nossos filhos, seja das babás, dos avós ou das creches, mas precisamos ter claras quais são as nossas responsabilidades indelegáveis.

E quais são as responsabilidades indelegáveis dos pais?

Existem várias formas de manter a qualidade do tempo juntos, mesmo quando ele não é tão grande. Ao estar com eles, ter mais “presença”, estar lá de verdade, conversar, entrar no mundo deles, dar atenção real. A nossa atitude e o nosso exemplo funcionam como regras implícitas que nossos filhos percebem. Nossa responsabilidade de estabelecer as regras é indelegável e deve ser congruente com nosso comportamento, para que seja realmente absorvida por nossos filhos.

Avós que participam ativamente da rotina das crianças são personagens importantes na educação compartilhada com os pais. Mas não eximem os pais da responsabilidade pela educação da criança.

É claro que é importante para a formação das crianças o contato com diferentes formas de pensar. O convívio com avós costuma ser muito rico em amor e outros valores, como respeito, civilidade, sensibilidade aos sentimentos dos outros, generosidade e tudo mais que seja benéfico para a convivência social das crianças.

No caso dos meus filhos, os avós exerceram e ainda exercem muito desse papel e isso foi fator determinante na criação de uma mentalidade aberta e flexível por parte dos meus pequenos, que hoje já são adultos.

Um ponto que precisamos ter cuidado é a questão do “tudo pode” na casa dos avós. É claro que um pouco de mimo e fugas eventuais das regras na casa da vovó não tem problema algum. Mas não pode virar rotina, pois se cria um conflito com as regras de casa e pode ser prejudicial ao desenvolvimento das crianças. É importante o diálogo entre os pais e os avós para encontrar um equilíbrio.

Secretárias do lar e babás

Já para as mamães que optam por contar com a ajuda das babás e secretárias do lar, saiba que essa relação pode ser muito benéfica sim, desde que você tenha total confiança nela, afinal nós sabemos que não é fácil cuidar de uma criança, principalmente quando ela ainda é bebê. Por isso é importante que ela tenha o perfil para essa função.

Talvez no início você sinta a necessidade de dar um treinamento, pelo menos comigo funcionava melhor assim, eu sentia mais confiança quando me certificava se ela saberia agir em situações de emergência e preencheria o dia das crianças com atividades interessantes e que fosses estimulante para o seu desenvolvimento.

Eu tive a bênção de contar com uma secretária que foi babá de meus filhos desde pequenos e ficou por 17 anos conosco. Seu nome era Fátima e nós a chamávamos carinhosamente de Dati. Sou extremamente grata a ela por todo o cuidado e atenção que deu a meus filhos e até a mim J Sua ajuda me permitiu expandir em muitas direções em minha vida.

E claro, a ajuda da Dati era maravilhosa, mas eu nunca me distanciei da educação e do cuidado deles. Desde as tarefas, às rotinas de limpeza, aos médicos, as brincadeiras, as aulas complementares, onde minha mãe levava, às vezes com a babá. Acompanhava algumas coisas por telefone, almoçava em casa o mais frequentemente possível e assim monitorava e orientava tudo.

Na creche e na escola

Por fim, temos que ser parceiros também na creche ou na escolinha em que nossos filhos estudam. Na época em que iniciei minha procura, eu visitei diversas escolas antes de me decidir por uma delas. Quando encontrei a que senti mais confiança, procurei ser a mais próxima possível, não apenas acompanhando a agenda escolar diariamente, mas mantendo um diálogo presencial com as professoras e participando de todos os encontros e reuniões com os pais.

Com os pais e professores interagindo de forma contínua, a tendência é que os filhos se desenvolvam mais, além de se sentirem amados e apoiados de ambos os lados. Favorecer um diálogo em casa e na escola torna possível resolver e superar eventuais conflitos que possam surgir com muito mais agilidade.

E você, costuma encarar como parceiros quem auxilia na educação dos seus filhos? Compartilha a sua experiência com a gente.  😉

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