Como evitar que o excesso de tecnologia nos distancie dos filhos? - Josie Picanço

Uma cena bem comum atualmente é ver várias crianças e adultos em silêncio, sentados um ao lado do outro, sem nenhuma interação, mas mexendo com grande habilidade os dedos diante de pequenas telas.

Quem nasceu até o comecinho da década de 90 com certeza tem notado o quanto a sua infância foi bem diferente da de hoje. Percebo grandes mudanças não só em relação à minha infância, mas também na infância de meus filhos que hoje têm mais de 20 anos. As brincadeiras comuns para mim, como pega-pega, esconde-esconde, carimba, amarelinha ou “macaca”, entre tantas outras, agora são fora de moda.

O motivo para tudo isso são as novas tecnologias, e hoje, o que vemos é uma legião de crianças isoladas em seus “mundinhos”, entretidas com seus smartphones e tablets e desinteressadas por qualquer outra atividade do mundo real. Embora os meus filhos já estejam bem grandinhos, isso é um assunto que me incomoda, por isso resolvi compartilhar com você esse tema hoje. Até porque todos nós somos afetados por essa modernidade toda.

Mas como toda essa tecnologia pode impactar no desenvolvimento da criança?

O que eu percebo, e as pesquisas confirmam, é o que o uso da tecnologia em excesso afeta principalmente a capacidade de desenvolver a empatia, ou seja, a geração dos atuais adolescentes tem menos tendência a ajudar ou oferecer coisas boas ao próximo, uma vez que estão tão ligados em seus aplicativos que se tornam alheias aos interesses das outras pessoas.

Aí eu te proponho: faça um exercício você mesma, olhe ao seu redor! Quantas vezes você está cercada de amigos e familiares sem haver nenhuma interação, porque todos estão hiperconectados? Da mesma forma que você se isola, a criança quando está entretida com seus joguinhos eletrônicos não quer saber o que acontece ao seu redor, sendo indiferente até mesmo aos assuntos de casa.

E os prejuízos para uma criança que não desenvolve suas relações são muitos. Ela pode se tornar um adulto inseguro e despreparado para enfrentar as pressões do dia a dia e situações adversas, além de naturalmente haver um distanciamento das atividades físicas, que contribuem para aumentar o risco de obesidade.

Mas como enfrentar esse problema virtual, que é cada vez mais real, para evitar que se torne um problema maior no futuro?

A tecnologia pode e deve ser utilizada, basta saber como administrar para evitar que seu filho também se torne um refém de aplicativos eletrônicos. E claro que o bom exemplo deve começar em casa. Você tem dado atenção suficiente ao seu filho ou costuma se incomodar quando está no WhatsApp, Instagram ou Facebook e ele fala com você?

Quantas vezes ao resolver um assunto importante no celular você “fingiu” estar dando atenção ou até mesmo se irritou porque ele está lhe desconcentrando? Obvio que isso antes poderia acontecer com ligações telefônicas, mas a superconexão em que vivemos hoje nos smartphones intensificou muito essa situação. Para estreitar a relação de pais e filhos e torná-la mais participativa é preciso dar atenção à criança.

Muitas vezes as crianças também acham que os pais estão hiperconectados demais, então, é hora de fazer uma reflexão e se permitir alguns questionamentos. Você se sente perdido sem o smartphone ou tablet no carro para distrair as crianças? Você não sabe mais os nomes dos amigos do seu filho e não conversa sobre assuntos do cotidiano com ele? Se a resposta for sim para as duas, talvez você não esteja dando atenção suficiente aos seus filhos.

Se você perceber que o seu filho prefere ficar em frente ao celular ou ao computador em vez de sair com amigos e se divertir, é hora repensar o uso da tecnologia aí na sua casa. Ainda que não seja uma tarefa fácil, dosar o tempo de contato entre as crianças, adolescentes e os aparelhos é fundamental. Para as crianças, a recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria é que o tempo total que o seu filho passa em frente à tela não exceda 30 a 40 minutos, sendo que não pode ultrapassar o tempo total de duas horas por dia.

Mas como fazer isso?

Como mãe, sei que não é fácil chegar e pedir para que o nosso filho desligue o celular ou deixe o tablet de lado. Olha que os meus já estão bem crescidinhos, eles mesmos já questionam isso e temos o cuidado de nos momentos juntos deixar o celular de lado. O que vai fazer diferença mesmo na mudança de postura das crianças é oferecer alternativas àquele entretenimento e estar, sempre que possível, disponível para elas.

E aí é hora de usar a criatividade! Convide-a para dar um passeio no parque, vá à praia, proponha um jogo, uma nova brincadeira, leia estórias, aprenda as músicas que eles gostam, escute as estórias dos filmes e desenhos que eles assistem, relembre e tente reproduzir com eles as brincadeiras da sua infância, são muitas possibilidades, basta estar atenta.

E isso vale para quem, como eu, já tem filhos “marmanjos”.

No meu caso, já usei a tecnologia ao nosso favor, para falar via Skype e WhatsApp com eles quando cada um morou no exterior. Isso na verdade foi uma grande bênção, pois nos permitiu manter contato próximo mesmo tão distantes. E nos nossos lanches da família aos domingos, temos o acordo de deixar sempre o celular de fora, só em poucas exceções.

A gente sabe que, principalmente para os pequeninos, não é fácil competir com as luzes, cores e animações que aparecem na tela dos smartphones, pois elas despertam de fato a atenção das crianças e até a nossa. Mas podemos sim, extrair o que há de bom das novas tecnologias e vivenciar mais a rotina da nossa família. E pode acreditar, mesmo que seja depois de um dia cansativo, todo o seu esforço valerá a pena, afinal amor e carinho para a nossa família nunca são demais.

E você, compartilhe aqui a sua experiência! Vou adorar conhecer novas histórias e saber como você lida com a situação. Um beijo e até a próxima.

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