Aprenda a dizer não aos seus filhos com equilíbrio - Josie Picanço

A gente sabe que educar filhos não é uma tarefa fácil, principalmente quando temos que conciliar o nosso já tão corrido e complicado dia a dia da carreira profissional com a tarefa de ser mãe. Sim, ser mãe é uma grande realização, é extremamente prazeroso, mas não é uma tarefa simples. E não podemos negar o fato de que a maternidade dá trabalho, e muito.

Mas porque será que às vezes nos tornamos permissivas e não queremos contrariar as nossas crianças?

O fato é que com a correria da rotina diária, começamos a agir, mesmo que inconscientemente, de uma forma compensatória. Como não conseguimos nos dedicar integralmente aos nossos filhos, procuramos compensar a ausência com a realização dos seus desejos, dizendo sim para quase tudo. Mas você pode sim educar o seu filho e trabalhar fora de casa, sem sentir-se culpada: o importante é estar presente com qualidade, ter uma quantidade de tempo de dedicação, uma comunicação efetiva e estabelecer algumas regras.

Como mãe e esposa, empresária e coach, costumo gerenciar vários projetos paralelos, incluindo a atenção a mim mesma e sofri com essa questão de querer compensar a “culpa” de estar fora de casa o dia inteiro. Quando eles eram pequenos, não foram fáceis os dias em que tive que deixá-los com minha mãe ou a babá quando estavam doentes, ou até mesmo para viajar um dia depois de ter levado meu filho à emergência no hospital.

Às vezes me pegava fazendo tudo o que eles queriam no final de semana, num passeio ao shopping, dando opções demais para que eles resolvessem, permitindo que ficassem brincando até muito tarde. Não foi simples encontrar o equilíbrio entre ceder às vontades deles porque era mais fácil ou porque era certo.

Mas a realidade é que não podemos terceirizar a educação dos nossos filhos. Cabe a nós, nesse universo de tantas coisas a fazer, saber gerenciar o nosso tempo da melhor forma possível, sem prejudicar a educação das crianças.

É claro que é muito mais cômodo e prático depois de um dia cansativo, a gente não contrariar e entregar smartphones e tablets nas mãos das crianças ou colocar um desenho, para que eles possam ficar quietinhos e entretidos. É o nosso momento de “descanso”, quando nós podemos relaxar, mesmo que por alguns minutos.

Mas até que ponto não contrariar pode ser positivo para o desenvolvimento de nossos filhos?

O grande problema de não impor limites aos filhos quando são pequenos, é que isso pode refletir de forma negativa no futuro, uma vez que eles se acostumarão a ter sempre tudo do seu jeito.

A criança precisa aprender a ter paciência, a conviver com algumas frustrações, para que ao longo da vida possa crescer sabendo que é necessário ultrapassar esses momentos, que “o mundo não se acaba” porque ela não conseguiu o que desejava.

E por mais doloroso que o impacto de uma negativa nos possa parecer naquele momento, acredite, muitas vezes o ato de dizer não para algo que ele tanto queria vai doer mais na gente do que neles. Por isso, é preciso dizer não com equilíbrio e convicção, até porque se você não faz isso com firmeza a tendência é que aconteça aquele clássico caso de birra, que enlouquece qualquer um.

Não é crueldade dizer não

Só para que fique bem claro e você não se sinta culpada, não é crueldade dizer não. Seu filho provavelmente vai ficar desapontado, mas se você ficar com pena e ceder, só vai piorar a situação, uma vez que irá enfraquecer a sua autoridade e perder a oportunidade de ensinar um pouco mais a seu filho sobre como lidar com as frustrações. Então, como fazer???

Não ceder a todas as vontades dos filhos é um passo importante, para que ele seja um adulto maduro e bem resolvido emocionalmente, então sempre mentalize: por mais difícil que possa parecer, isso é para o bem do meu filho.

Seja firme nas decisões. Chorar é um dos meios que a criança tem para mostrar que não está confortável com aquela situação. Então, perante o choro, tente não passar a mão na cabeça da criança minimizando a situação, seja firme e mantenha a coerência da sua decisão.

Seja coerente e não intransigente. Suas regras com seus filhos devem manter-se coerentes com seu próprio comportamento. Não adianta dizer para seu filho que não tenha determinada atitude que ele vê você fazendo sempre. O exemplo é percebido muito mais do que a gente possa pensar.

Estabeleça regras com o seu companheiro. É muito importante que os pais estejam alinhados nas decisões. Manter o não, não depende exclusivamente de você, mas também de quem compartilha com você a responsabilidade da educação e criação da criança.

Com o passar do tempo você vai ver que as crianças vão aceitar um não de maneira muito mais fácil e vão se sujeitar às regras estabelecidas sem tanta resistência.

E você, o que achou do texto de hoje? Compartilha também a sua experiência com a gente!

Agora é só colocar em prática o “dizer não com coerência” e ajudar nossos filhos a serem mais fortes ao lidarem com as situações da vida, combinado?

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